quinta-feira, 27 de maio de 2010

Homenagem a Mata Atlântica - 27.05.2010

No dia da Mata Atlântica estamos homenageando-a através da árvore Sapucaia que deu origem ao nome Troça Carnavalesca Mista Arrebenta Sapucaia!



Sapucaia

Nome científico: Lecythis pisonis Cambess. Família: Lecythidaceae

Outros nomes populares: castanha-sapucaia, cumbuca-de-macaco,sapucaia-vermelho (ES), marmita-de-macaco, caçamba-do-mato

Características gerais: É uma árvore média a alta da mata atlântica úmida, com ocorrência desde o Rio de Janeiro até o Ceará, com predominância nos estados do Espírito Santo e Bahia. Sua freqüência natural na floresta nunca foi muito alta e, hoje, já pode ser considerada rara no habitat. Isto se deve a pequena produção de sementes e a intensa perseguição dos macacos que consomem avidamente suas castanhas. Ocorre quase que exclusivamente nas várzeas e início de encostas em solos de boa fertilidade e bem supridos de matéria orgânica e umidade , porém não ocorre em solos permanentemente encharcados. Apesar de sua altura máxima não ultrapassar 40 m, seu tronco pode atingir 9 m de circunferência. Quando cultivada fora da mata, seu porte não ultrapassa 25 m e sua copa é mais globosa, quando comparada com exemplares da floresta. É considerada uma planta decídua, ou seja, que perde suas folhas no inverno, quer pela menor disponibilidade de água no solo, quer pela menor temperatura nesta época do ano. Na primavera surgem as folhas novas de cor rosa-avermelhada, juntamente com as flores de cor lilás, conferindo à sua copa beleza indescritível. Este espetáculo dura algumas semanas, atingindo o seu auge no final de outubro e passando lentamente para a cor verde normal. Somente árvores adultas (com mais de 8 anos) exibem esta característica. Existem mais 3 espécies de sapucaia, porém nenhuma com esta característica, apesar de se assemelharem morfologicamente. A sapucaia, contudo, não é a única espécie de árvore a exibir folhas novas coloridas.



Distribuição geográfica

Ocorrência: Originalmente sua distribuição natural se estendia desde o Ceará até o Rio de Janeiro na mata atlântica de várzea, sendo mais freqüente, contudo do sul da Bahia até o norte do Rio de Janeiro. Sua ocorrência e importância foi mais acentuada no ES e RJ, tendo inclusive emprestado o seu nome para designar várias localidades, como a cidade de Sapucaia no RJ.



Frutos: Uma das principais curiosidades desta árvore é a forma de seu fruto, denominada botanicamente "pixídio" e popularmente conhecida como "cumbuca". Trata-se de uma cápsula lenhosa de forma globosa de 2-4 kg e até 25 cm de diâmetro, dotada de uma tampa na extremidade oposta ao cabinho de fixação que se descola e cai quando o fruto está maduro para permitir a liberação das sementes. Isto ocorre nos meses de agosto-setembro. As sementes ou "castanhas" são comestíveis e muito deliciosas. Seu sabor rivaliza com a "castanha-do-pará", contudo não é comercial porque a produção é muito baixa e muito perseguida pelos macacos e outros animais selvagens. Geralmente uma cumbuca média contém 6-12 castanhas, as quais contém, afixadas em sua base, um arilo branco-amarelado de sabor adocicado e muito procurado pelos morcegos. Estes recolhem as castanhas com o arilo e as levam para árvores de copa densa para saborearem, deixando cair as castanhas após a remoção do arilo, constituindo-se assim nos disseminadores naturais desta espécie. Portanto, o melhor lugar para procurar as castanhas desta árvore não é sob a sua copa, mas sob as árvores próximas de copa densa e escura. O maior consumidor de suas castanhas, contudo, não é o homem, mas sim o macaco-sauá, que faz verdadeiras loucuras para consegui-las. Quando ainda fechadas, os macacos torcem as cumbucas como se fossem arrancá-las para acelerar a maturação. Quando parcialmente abertas, chegam a bater um fruto contra o outro na tentativa de forçar a liberação das castanhas e, segundo a lenda, dificilmente enfiam a mão dentro da cumbuca (pelo menos os mais experientes), porque isto pode prender sua mão ao contraí-la para apanhar as castanhas. Daí a expressão "macaco velho não põe a mão em cumbuca". As cumbucas são usadas na zona rural como utensílio para fins diversos, principalmente para vasos de plantas ou como adorno doméstico. Geralmente ficam afixadas na árvore mesmo após a queda das castanhas por vários meses.









Madeira:
Não é considerada de excelente qualidade. De densidade média (0,88 g/cm3), dura, resistente, grã direita, de textura média, era usada principalmente para vigamentos de construções rurais em geral, esteios, postes, estacas, tábuas para assoalhos, pontes, etc. Sua durabilidade quando exposta ao tempo não é das maiores.





Produção de mudas:
Suas sementes (castanhas) germinam com certa facilidade em 40-70 dias se deixadas para germinar em solo organo-argiloso logo que caídas das árvores. Um kg de sementes contém aproximadamente 180 unidades. Semeá-las logo que colhidas porque sua viabilidade germinativa não ultrapassa três meses. A semeadura deve ser feita sem nenhum tratamento diretamente em saquinhos individuais (duas sementes por embalagem) contendo substrato organo-argiloso e mantidos em local sombreado. Cobrir as sementes com uma camada de 1 cm do substrato peneirado e irrigar duas vezes ao dia. A emergência das sementes ocorre em 40-70 dias e a taxa de germinação é apenas moderada. O desenvolvimento das mudas no viveiro e posteriormente no local de plantio definitivo não é muito rápido, podendo ser considerado "lento". As árvores jovens iniciam a produção aos 8-10 anos de idade.

http://www.achetudoeregiao.com/Arvores/sapucaia.htm

Um comentário:

ALBERTO FIGUEIREDO disse...

Parabéns Augusto!
Levando-se em conta que provavelmente o estado de Pernambuco é hoje o que mais destrui o meio ambiente em nome do progresso esta matéria além de uma homenagem é uma prece a vida.