domingo, 27 de janeiro de 2019

Tragédia de Brumadinho

Ministro Ricardo Salles é a pessoa errada no lugar errado

Após o rompimento de uma barragem em Brumadinho (MG), ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad criticou a escolha de Ricardo Salles para comandar Ministério do Meio Ambiente feita pelo governo Jair Bolsonaro; "Má escolha: o governo errou ao nomear para ministro do Meio Ambiente alguém cujas posições estão na contramão do que o país precisa."

 Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro
Após o rompimento de uma barragem em Brumadinho (MG), ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad criticou a escolha de Ricardo Salles, do partido Novo, para comandar Ministério do Meio Ambiente feita pelo governo Jair Bolsonaro. O crime ambiental deixou pelo menos 9 mortos e cerca de 150 desaparecidos. 

"Má escolha: o governo errou ao nomear para ministro do Meio Ambiente alguém cujas posições estão na contramão do que o país precisa. Bolsonaro, até ontem, só fala em afrouxar a fiscalização e facilitar o licenciamento. Veremos agora", disse Haddad no Twitter.

"3 anos depois de Mariana, a vez de Brumadinho. Outro rompimento de barragem da Vale. E ainda tem gente que defende que a flexibilização do licenciamento ambiental, o auto-licenciamento das empresas, o enfraquecimento do Ibama, etc, etc", disse. 

Salles já criticou o Ibama ao sinalizar que o órgão é uma "fábrica de multas" e ameaçou punir fiscais que emitissem multas que a burocracia do Ministério julgasse improcedentes.

Ação popular pede saída de ministro
Na quinta-feira (24), a juíza federal Ana Lucia Petri Betto, da 6ª Vara Cível Federal de São Paulo, decidiu pela remessa ao Supremo Tribunal Federal (STF) dos autos da ação popular que pede anulação da nomeação de Ricardo Salles para a pasta do Meio Ambiente. A magistrada reconheceu a incompetência da instância para julgar a ação. Por ser ministro de estado, Salles tem como foro o STF.

Proposta por Luiz Eduardo Auricchio Bottura, a ação sustenta que a nomeação pelo presidente Jair Bolsonaro (outro réu no processo) afronta a moralidade pública. Em 19 de dezembro, Salles teve seus direitos políticos suspensos por três anos ao ser condenado pela Justiça de São Paulo.

O Tribunal acolheu denúncia do Ministério Público estadual, que apontou improbidade administrativa cometida pelo então secretário estadual de Meio Ambiente do governo de Geraldo Alckmin (PSDB). O gestor ambiental foi indiciado e condenado por ter adulterado mapas e a minuta de decreto do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental Várzea do Tietê, na Região Metropolitana de São Paulo, para beneficiar empresários, especialmente do setor de mineração, vinculados à Federação das Indústrias do Estado (Fiesp).

A sentença condenatória impõe ainda o pagamento de multa civil no valor de 10 vezes a remuneração mensal recebida no cargo de secretário estadual no governo paulista. Alvo de diversas ações que tramitam na Justiça de São Paulo, o atual ministro de Bolsonaro não entrou com recurso à condenação em primeira instância, o que mantém em vigor a condenação por improbidade, o que, segundo a magistrada, afronta a Constituição. Em seu artigo 37, determina que qualquer esfera do poder público deve obedecer aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Fonte: Portal Vermelho A Esquerda Bem Informada
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Brumadinho – a lógica do lucro que prevalece sob Bolsonaro

Brumadinho – a lógica do lucro que prevalece sob Bolsonaro

O desastre ocorrido nesta sexta-feira (25), em Brumadinho (MG), que já foi descrito como uma “tragédia anunciada” poderá infelizmente ser o prenúncio de outras calamidades, prevalecendo no governo brasileiro a orientação imprudente e funesta que só favorece o lucro empresarial e rejeita a fiscalização rigorosa sobre as atividades das empresas, principalmente daquelas cuja atividade atinge populações e o meio ambiente. Tudo indica que a concepção que rompe com o necessário equilíbrio entre proteção ambiental e desenvolvimento prevalece num governo onde o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles - que, em tese, deveria implementar a fiscalização - considera o órgão responsável por ela, o Ibama, uma "fábrica de multas".

O desastre ocorrido em Brumadinho atingiu várias cidades da região, com impacto na vida de milhares de pessoas, e indica que centenas de vítimas fatais agravará ainda mais a tragédia - a lista de desaparecidos divulgada pela empresa responsável pela Mina do Feijão, pela barragem e pelo desastre, a mineradora Vale, relaciona o nome de quatrocentas pessoas desaparecidas. A exemplo do que ocorreu em Mariana, há pouco mais de três anos, as consequências ambientais, econômicas e sociais ainda se estenderão por muito tempo e algumas de modo irreversível.

Fundada em 1942, no primeiro governo de Getúlio Vargas, a Vale, que originalmente denominava-se Companhia Vale do rio Doce (CVRD), foi privatizada em 1997, no governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. Seu lucro, em 2017, que superou os 17 bilhões de reais, a coloca entre as maiores mineradoras do mundo. No entanto, apesar das promessas, o que se vê é o lucro aumentar e os cuidados ambientais e com as condições de trabalho de seus funcionários diminui.

Além da trágica dimensão humana, o rompimento da barragem em Brumadinho – que acontece há pouco mais de 3 anos após desastre semelhante ocorrido em Mariana (MG), igualmente envolvendo a Vale - tem outra terrível conseqüência: a destruição do meio ambiente. Vazaram cerva de 14 milhões de metros cúbicos de dejetos, lançados na bacia hidrográfica, e que atingiram o rio Paraopeba, um importante afluente do Rio São Francisco – cujo leito, já martirizado pelo descaso ambiental e pelo desmatamento, poderá ficar comprometido com a poluição resultante de mais essa tragédia, com graves consequências ambientais.

A tragédia de Brumadinho pode ser vista como uma infeliz metáfora da caótica situação vivida pelo Brasil desde o golpe do traidor Michel Temer, que tomou o governo de assalto 2016. Situação que prossegue agravada sob o comando do direitista ultraliberalJair Bolsonaro. Como em Brumadinho, é sobre o povo e o meio ambiente que recai o custo da lógica imperante, que favorece a ganância do capital e o lucro empresarial. Bolsonaro é um crítico ferrenho das políticas sociais, trabalhistas e ambientais de governos anteriores. Em Brumadinho as vítimas são os trabalhadores e o meio ambiente. O desastre, ocorrido no mês inicial do governo de Jair Bolsonaro, pode ser, infelizmente, um retrato de seu descaso com o povo, os trabalhadores... e o meio ambiente.

Fonte: Portal Vermelho A Esquerda Bem Informada
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sábado, 26 de janeiro de 2019

Altamiro Borges: Brumadinho e o "sinistro" do Meio Ambiente


Altamiro Borges: Brumadinho e o "sinistro" do Meio Ambiente


As primeiras imagens, tristes e revoltantes, indicam que o rompimento da barragem da Vale na ‘Mina Feijão’, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, pode ser consequências ainda mais graves do que o crime ambiental de Mariana, em 2015.

  
Até o início da noite desta sexta-feira (25), o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais havia confirmado quatro feridos e mais de 200 desaparecidos. A onda de lama deve atingir até 19 municípios mineiros. Reportagem de Leonardo Fernandes, no jornal Brasil de Fato, mostra a gravidade da tragédia. Reproduzo alguns trechos:

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Embora a quantidade de rejeito de mineração vazada da barragem localizada no município de Brumadinho seja menor do que a despejada sobre o Rio Doce em dezembro de 2015, os danos socioambientais serão grandes. O alerta é feito pelo biólogo Renato Ramos. “As informações são muito desencontradas no momento. A gente vê informações de que são um milhão de metros cúbicos de rejeito, outras de que pode chegar a até 13 milhões de metros cúbicos de rejeito. É uma proporção muito menor do que aconteceu no desastre de Mariana, mas também é um desastre severo”, alerta. 

Ramos é responsável por um estudo, em parceria com o geólogo Sófocles de Assis, e que aponta que 19 municípios mineiros devem ser atingidos pela onda de lama. São eles: Betim, Brumadinho, Curvelo, Esmeraldas, Felixlândia, Florestal, Fortuna de Minas, Igarapé, Juatuba, Maravilhas, Mário Campos, Morada Nova de Minas, Papagaios, Pará de Minas, Paraopeba, Pequi, Pompéu, São Joaquim de Bicas e São José da Varginha. Segundo os pesquisadores, é possível que a pluma chegue até a barragem de UHE Retiro Novo, próximo a Três Marias. 

Ao Brasil de Fato, os especialistas afirmaram que já vinham trabalhando no estudo das consequências do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, e por isso puderam elaborar rapidamente um prospecto do impacto dessa nova tragédia. Esses estudos poderiam, por exemplo, evitar que a lama chegue ao Rio São Francisco, provocando um dano ainda maior. “A gente está pensando nesse momento que uma medida para conter o fluxo da lama é fechar a barragem de Três Marias. Ali tem um reservatório muito grande e talvez a quantidade de água que existe ali depure a lama, segura ela, que seria depositada no leito do reservatório. Isso ajudaria a não impactar o restante do Rio São Francisco”. 


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Diante do grave crime, o segundo em curto espaço de tempo cometido pela empresa privatizada Vale, muita gente – inclusive os bolsonaristas menos tapados (se é que eles existem) – deve ter ficado preocupada com o futuro da questão ambiental no novo governo. Jair Bolsonaro sempre tratou com desdém o tema. Prova disso foi a indicação de um capacho dos ruralistas e dos devastadores para o cargo de ministro do Meio Ambiente. Logo que foi anunciado, Ricardo Salles, ex-secretário do tucano Geraldo Alckmin e fundador da seita fascistoide Endireita Brasil, deu uma entrevista na qual disse que “o Ibama é uma fábrica de multas”. A idiotice causou a demissão de Suelly Araújo, presidenta do órgão responsável pela fiscalização das empresas.

O novo ministro pode agora até fazer demagogia com a tragédia de Brumadinho, mas ele nunca teve qualquer compromisso com a questão ambiental. Pelo contrário. Ele inclusive já foi condenado por crimes nesta área. Em 19 de dezembro passado, a Justiça de São Paulo ordenou a suspensão de seus direitos políticos por um crime de improbidade administrativa quando era secretário de Meio Ambiente de São Paulo. Como registrou na ocasião o jornal Estadão, “a decisão foi tomada pelo juiz Fausto José Martins Seabra, da 3.ª Vara da Fazenda Pública, sobre ação do Ministério Público que acusava Ricardo Salles de ter favorecido empresas de mineração em 2016. O futuro ministro do Meio Ambiente teria acolhido mudanças feitas nos mapas de zoneamento do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Tietê”.

O presidente-capetão Jair Bolsonaro, que ainda engana muito otário com suas bravatas sobre a corrupção, havia dito que não nomearia condenados em primeira instância em seu governo. Ele mentiu e manteve Ricardo Salles mesmo após a decisão da Justiça. Na prática, ele pagou a dívida com a cloaca burguesa que viabilizou sua chegada ao governo. O líder do Endireita Brasil foi uma indicação dos ruralistas e dos empresários – inclusive das mineradoras.

Uma notinha no Painel da Folha, em 11 de dezembro, revelou que “nas semanas que antecederam sua escolha para comandar o ministério, Ricardo Salles reuniu cartas de recomendação de representantes de vários setores empresariais para levar a Bolsonaro. Em nome do mercado imobiliário, o presidente do Secovi de São Paulo, Flavio Amary, disse que ele ‘desburocratizou processos’ e ‘promoveu a segurança jurídica’ em sua temporada como secretário do governo Alckmin (PSDB). A Sociedade Rural Brasileira disse a Bolsonaro que Salles ‘conciliou os interesses do produtor rural pelo aumento da produtividade com as questões ambientais de forma objetiva, sem ideologias e priorizando o respeito às leis e às instituições’”. É um típico capacho!

 * Altamiro Borges é jornalista e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Fonte: Portal Vermelho A Esquerda Bem Informada
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Barragem rompida

Brumadinho é 'tragédia anunciada', afirma o MAB

Em nota de solidariedade às vítimas, o Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) afirma que Brumadinho é 'tragédia anunciada" e alerta para a responsabilidade das empresas em mais uma agressão social e ambiental promovida pela busca de lucro a qualquer custo

Fotomontagem
 Foto aérea de parte da região atingida pelo rompimento de mais uma barragem da Vale, em Brumadinho, comparada a antes do impacto da avalancha de lama Foto aérea de parte da região atingida pelo rompimento de mais uma barragem da Vale, em Brumadinho, comparada a antes do impacto da avalancha de lama
“Uma tragédia anunciada”, diz Thiago Alves, integrante do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), sobre o rompimento da barragem Mina do Feijão, da mineradora Vale, nesta sexta-feira (25). Até o momento, há cerca de 200 desaparecidos no município de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Perspectivas apontam que o número de desaparecidos pode subir para 600 pessoas.

O rompimento da barragem ocorre pouco mais de três anos do crime ambiental em Mariana, também em Minas Gerais – acidente que, em novembro de 2015, liberou cerca de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração na região e deixou 19 mortos, após o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, da qual a Vale é uma das donas, em conjunto com a BHP Billiton.

A mineradora fechou acordo com o Ministério Público de Minas para o pagamento de indenizações, mas ação na Justiça Federal ainda não teve julgamento. 

Para Alves, assim como ocorreu no caso de Mariana, a Vale não irá assumir responsabilidades sobre o rompimento.

“A Vale, mais uma vez, vai atuar para esconder seu crime. Criar uma narrativa de que foi um acidente, que esse tipo de coisa acontece, como foi o caso de Mariana, além de construir uma narrativa na imprensa e com as instituições, principalmente os governos”.

Ele acrescenta que a não reparação das vítimas do crime da Samarco, assim como a não responsabilização da empresa, permite que um modelo predatório de mineração continue se expandindo na região. 

“A impunidade do crime de Mariana dá mais espaço e oportunidade para outros crimes. A forma com que as empresas atuam, especialmente a Vale, no contexto do crime de Mariana, e como a Justiça brasileira atua do lado das empresas, cria espaços e oportunidades para mais uma tragédia”, declara o integrante do MAB. “A impunidade do crime de Mariana permitiu mais uma tragédia anunciada”, lamenta. 

A cidade de Brumadinho foi evacuada pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, assim como o Instituto Inhotim, o museu a céu aberto de arte contemporânea localizado na região. 

Segundo Thiago, as mineradoras, o governo de Minas Gerais, assim como o governo federal, ignoram o direito das populações que moram no entorno e seus posicionamentos contrário à atividade minerária. 

“Esse rompimento é o resultado de um modelo de mineração que é privatizado e transnacional, inteiramente à serviço do lucro das grandes empresas, contra os direitos dos trabalhadores e das comunidades”, ressalta Alves. “Essa tragédia é mais um resultado desse modelo de morte”, lamenta o militante. 

Maria Júlia Gomes de Andrade, coordenadora do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), relembra que o licenciamento para a barragem rompida nesta sexta-feira (25) foi concedido a toque de caixa pelo governo estadual, em dezembro.

Andrade critica atuação das mineradoras enfaticamente. “Eles têm uma característica em comum: são projetos de grande escala, de minério de ferro, de empresas de grande porte. Mostram, de cara, uma incapacidade gigantesca dessas empresas de garantirem a segurança das suas estruturas.”

A população local e movimentos que atuam na região seguem em alerta prestando apoio aos moradores atingidos. 

“Tinha muita gente trabalhando lá dentro. Esse complexo não é apenas uma mina. É um complexo que envolve várias minas. É uma extensão enorme, envolve dois municípios. A gente ainda não sabe o que aconteceu com esses trabalhadores que estavam lá na hora que rompeu essa barragem”, diz Maria Júlia, apreensiva. 

“Em Fundão, 14 trabalhadores morreram na hora do rompimento da lama, sendo que 12 eram terceirizados. Isso mostra também o nível de precarização de quem trabalha nas áreas mais arriscadas dentro do complexo da mineração”, complementa. 

Em relação a atuação do novo governo no licenciamento desses empreendimentos, Thiago Alves, do MAB, é pessimista. Ele acredita que tanto o presidente Jair Bolsonaro (PSL) quanto Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, vão atuar à favor das mineradoras, inclusive para facilitar a mineração em áreas quilombolas e indígenas. 

“Isso já foi anunciado. Nós não temos nenhuma expectativa que o governo vá defender direitos dos trabalhadores da mineração e de comunidades atingidas. Temos um ministro do meio ambiente que é um criminoso, condenado na Justiça por favorecer mineradoras”, relembra.

Há dois dias, Zema comemorou no seu Instagram que a Vallourec estava expandindo a mineração em Brumadinho. "Minas é a principal região produtiva do grupo e meu governo vai trabalhar duro para trazer investimentos, gerar empregos e renda aos mineiros e mineiras".
































Jair Bolsonaro, já depois de eleito presidente, criticou as licenás ambientais alegam que são meros "caprichos"e atrapalham as obras.

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Ruptura de barragem - Uma nova tragédia em Minas Gerais três anos depois de Mariana

Uma nova tragédia em Minas Gerais três anos depois de Mariana

A barragem Mina do Feijão, da mineradora Vale, se rompeu nesta sexta-feira (25) em Brumadinho, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. De acordo com os bombeiros, há possibilidade de vítimas. As  informações indicam que os rejeitos atingiram a área administrativa da companhia e parte da comunidade da Vila Ferteco. O Instituto Inhotim, o museu a céu aberto de arte contemporânea localizado no município, foi evacuado por precaução.

Foto: Corpo de Bombeiros/MG
 A tragédia de Brumadinho repete o mesmo que ocorreu em Mariana há três anos A tragédia de Brumadinho repete o mesmo que ocorreu em Mariana há três anos
O rompimento da barragem em Brumadinho ocorre pouco mais de três anos do crime ambiental em Mariana, também em Minas Gerais – acidente que, em novembro de 2015, liberou cerca de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração na região e deixou 19 mortos após rompimento de barragem de Fundão, da mineradora Samarco.

Maria Júlia Gomes de Andrade, coordenadora do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), afirma que o licenciamento foi concedido a toque de caixa pelo governo estadual, em dezembro. "Eles tramitaram, nesta expansão, as três licenças juntas (prévia, de instalação e de operação), que é uma forma de acelerar o processo. Toda a população do entorno do projeto estava com terror do que significaria essa expansão. Temos agora a confirmação que o medo das pessoas se materializou" , pontua.

Já o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) prestou solidariedade com os atingidos pelo rompimento da barragem. "Denunciamos o atual modelo de mineração, com empresas privatizadas e multinacionais que visam o lucro a qualquer custo que afeta a vida de milhares de pessoas", diz nota do movimento. "A Barragem tem capacidade de 1 milhão de m³ de rejeitos, que agora serão derramados sobre o Rio Paraopeba, deixando um rastro de destruição e morte e colocando em risco o abastecimento de milhares de famílias em mais de 48 municípios da Bacia do Paraopeba."

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), autor do PL 3650/2015, que proíbe barragens molhadas e incentiva a adoção de barragens secas também se posicionou sobre o desastre ambiental.  “É uma irresponsabilidade criminosa, porque estamos tratando do mesmo grupo, em menos de três anos novamente e na mesma região. É inaceitável que uma irresponsabilidade com a vida das pessoas e com o meio ambiente possa continuar dessa forma”, disse o parlamentar.

Alerta

No fim de 2018, o Brasil de Fato publicou uma matéria que alertava sobre a ampliação da mina na cidade.  No dia 11 de dezembro, o Conselho Estadual de Política Ambiental  (Copam) aprovou a ampliação da mina em Brumadinho e de outra em Sarzedo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. As minas estão localizadas na zona de amortecimento do Parque Estadual da Serra do Rola Moça e enfrentavam forte resistência dos moradores.

A continuidade das operações nas duas minas foi aprovada com apenas um voto contrário e duas abstenções, segundo Maria Teresa Viana, integrante do Copam. “Se eles estão fazendo isso em uma área que é tão perto da população, em locais mais afastados é uma tratoragem, uma atrás da outra”, declarou, na época, a ambientalista Maria Teresa Viana.

Em nota, o governo do estado de Minas Gerais informou que uma força-tarefa está no local do rompimento para acompanhar e tomar as primeiras medidas. Já a Vale informou que “a prioridade total da empresa, neste momento, “é preservar e proteger a vida de empregados e de integrantes da comunidade”.

Fonte: Portal Vermelho A Esquerda Bem Informada
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

CONVITE - PRIMEIRA REUNIÃO DO ANO

 
C O N V I T E 

O Movimento em Defesa da Mata do Engenho Uchoa convida você para a primeira reunião do ano.
Data: 28/01/2019 (segunda-feira)
Hora: 9H
Local: Escola Presidente Humberto Castello Branco
           Av. Dr. José Rufino,2.993 - Tejipió – Recife/PE.   
Pauta:

1. Informes;
2. convocação da reunião do Conselho Gestor da U.C. Reserva de Vida Silvestre;
3. revisão do Plano Diretor da Cidade do Recife;
4. novo Secretário da SEMAS;
5. 4O anos de luta do Movimento;
6. T.C.M. Arrebenta Sapucaia! - Manhã de Sol com Bingo ( 17/02/2019 ) e o 13º desfile ( 23/02/2019 ).

Sua presença será necessária para o desenrolar da luta pelo Parque Natural Rousinete Falcão nos CENTO E NOVENTA E DOIS HECTARES remanescentes de Mata Atlântica, reconhecida pela ONU como RESERVA DA BIOSFERA MUNDIAL

Coordenadores ( ras ):
Luci Machado - 98637.1747
José Semente - 98595.8666
Jacilda Nascimento - 99965.0916
Arlindo Lima - 98622.9518
Patricia Maria 99183.9762
Augusto Semente - 99258.7195


Mata Atlântica Sim!
Recife Merece Mais um Parque!


Foto aérea da Mata do Engenho Uchoa 192ha de Mata Atlântica




 

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sábado, 19 de janeiro de 2019

Uma biografia em quadrinhos de Carolina de Jesus

Uma biografia em quadrinhos de Carolina de Jesus

 Biografia em quadrinhos sobre escritora é premiada no Festival de Angoulême. Autores falam em levar símbolo de superação e resistência negra para outras linguagens.

Por Maria Teresa Cruz, da Ponte

  
 Quando o ilustrador e roteirista João Pinheiro tomou contato com ‘Quarto de despejo: diário de uma favelada’, de Carolina Maria de Jesus, a cabeça dele virou. “Fiquei fascinado”, resume. Até aquele momento, João não conhecia a literatura marginal dessa mulher negra, que muito tempo passou desconhecida na academia e livrarias do país. “Eu estava assistindo aquele programa que passava na TV Cultura, o ‘Manos e Minas’, e aí uma rapper falava o nome de várias mulheres negras importantes e citava Carolina. Eu anotei o nome e fui procurar o livro depois, encontrei uma edição de bolso da década de 80 de Quarto de Despejo, comprei e li. Aí passei para Sirlene”, conta.


Essa foi a pequena semente de um desejo dos parceiros de trabalho e vida que floresceria até chegar no livro “Carolina”, publicado pela editora Veneta, uma biografia em formato de história em quadrinhos, ou melhor dizendo, uma “mini biografia, um recorte da vida” de Carolina, como faz questão de frisar a professora e pesquisadora Sirlene Barbosa. O livro venceu o prêmio especial do Festival de Quadrinhos de Angoulême, o mais importante do mundo do gênero, uma espécie de Cannes do HQ. A cerimônia de entrega acontece no dia 24 deste mês, na França.

Quando a dupla teve o click de fazer o livro, era final de 2013. Sirlene lembrou que em março do ano seguinte seria centenário da escritora. “Achei que íamos conseguir fazer um livro em três meses. Sonho meu”, diverte-se a professora em entrevista à Ponte. A aprovação no Proac-SP naquele mesmo ano deu fôlego, ânimo e, principalmente, verba para a produção. João contou que Carolina demorou um ano para ficar pronto, embora o sonho e a pesquisa date de antes disso. “Os projetos contemplados pelo programa têm 10 meses para serem feitos e apresentados. A gente pediu uma prorrogação, se não me engano, de dois meses. Ou seja, a gente ficou praticamente um ano para terminar o livro. Mas a pesquisa é anterior a isso, quase 10 anos antes”, explica.

Escritora favelada que viveu boa parte da vida na favela do Canindé, em São Paulo, teve seu primeiro livro publicado, basicamente um diário de memórias, pelo jornalista Audálio Dantas que viu nos escritos grande potencial. Mesmo com o sucesso do primeiro livro, passaria muitos anos invisibilizada nos estudos acadêmicos e pouco ou nada conhecida como referência na literatura brasileira. Para os autores há duas importantes motivações para entender esse silenciamento a respeito de Carolina Maria de Jesus: a ditadura e a branquitude dos ambientes acadêmicos de forma geral.

“Naquele contexto, depois do golpe de 64 [início do período da ditadura militar no Brasil que seguiria até os anos 80], uma escritora negra, favelada, que denunciava todas as mazelas da sociedade dentro de um contexto de um governo militar não pegava bem. Eles não iam querer mostrar uma realidade não condizente com o que eles pregavam, de que o país tinha igualdade racial, de que era um país que estava melhorando economicamente. Então ela era um incômodo”, explica João Pinheiro. “E a academia também que é branca e não considera a importância de Carolina”, afirma.

Sirlene concorda. “O Arroyo [Miguel Arroyo, pesquisador da área de educação e autor do livro ‘Currículo, território em disputa’] fala que currículo é espaço de luta. E nesse sentido também devemos compreender que foi a escola que inseriu a ideia de eugenia e embranquecer a raça brasileira. Quem é que seleciona o que será lido na Fuvest ano que vem? Quem define como e o que será ensinado e lido [nos mais diversos níveis da formação]? Ainda é a elite. Elite branca e escravocrata. A gente também precisa descolonizar os currículos”, provoca.

Sirlene Barbosa é professora do ensino público municipal, leciona em escolas da zona leste de São Paulo, onde inclusive nasceu, e exemplifica em experiências da sala de aula o que disse. “Eu comecei a observar a partir de um ato até ingênuo de uma estudante de uns 10 anos, hoje mais velha, de que faltava representatividade negra na escola. Por que eu falo negra e não indígena, LGBT, enfim, de vários outras minorias, que prefiro chamar de maioria silenciada? Vou te explicar: nesse dia eu fui ler um conto de fadas para as crianças e pensei: não vou ler Branca de Neve nem Cinderela. Isso eu já leio. Mas eu quero ler também livros cujas princesas sejam negras, latinas, indígenas, sejam meninas que se pareçam com as meninas para as quais eu dou aula. Eu escolhi uma que a princesa era negra e fechei a capa para eles não verem . Iniciei a leitura e tinha uma fala que dizia que a princesa era muito linda. Essa menina colocou a mão na boca com expressão de susto e disse: ‘você mentiu para a gente’. E eu disse: ‘mas por que?’ e ela: ‘porque você disse que ela era linda’. Eu não briguei, mas quis saber de onde ela tinha tirado essa ideia. E ela travou. O coleguinha do lado disse: ‘porque ela é negra'”, recordou Sirlene. “Eu não quero calar a voz do branco europeu. Mas eu quero inserir a voz do negro, do indígena, do latino, do africano, enfim, inserir essas vozes caladas”, afirmou.

Para João Pinheiro, a palavra que define bem a obra é superação. “A história dela é muito triste, muito pesada muito para baixo. Mas ao mesmo tempo ela tem muita força. Então, apesar de ter essa miséria, fome, a situação degradante que ela vivia, por outro lado ela tem muita força e persistência. E supera tudo, mesmo diante daquelas dificuldades, ela consegue seguir em frente, levantar todos os dias e não desistir. Isso é o principal”, disse.

Sirlene se orgulha da obra e espera que a história de Carolina chegue cada vez mais nas pessoas. “[Em 2013] Eu fiz uma pesquisa com 40 docentes, professores de salas de leitura da diretoria de Itaquera [região onde Sirlene também atua] e desses, 5 tinham ouvido falar dela, e uns dois apenas tinham iniciado a leitura de Quarto de Despejo”, recorda. “Então, se o livro servir para que algumas pessoas possam nos dizer: ‘eu não conhecia, eu passei a conhecer por causa do livro de vocês’, teria atingido meu objetivo. Além disso, seria muito importante que ele chegasse nas mãos de meninos e meninas da periferia para que eles saibam que é possível ser o que a gente quiser. Para que possam conhecer a história da mulher Carolina Maria de Jesus, porque ela foi mãe de três filhos, uma grande chefa de família, sustentou mesmo aquela molecada numa favela terrível, não tinha água encanada, era uma única torneira na favela inteira, não tinha energia elétrica. Ela trabalhava e ainda chegava em casa e tinha forças de escrever”, explicou.

Essa força que existe na persona de Carolina e que a dupla João e Sirlene apontou e fez questão de salientar no livro, na visão dos autores é o potencial transformador da literatura negra. Sirlene se recorda de uma história que aconteceu recentemente com a turma do EJA (Educação de Jovens e Adultos), onde também leciona. “Eu tinha uma aluna que apanhava do marido. Ela me contou que foram dois anos de muita violência. Pois bem, a gente teve a colação de grau dos estudantes e ela falou no meu ouvido que graças a minha aula sobre Carolina, ela conseguiu sair de casa. É muito forte, fico muito emocionada e grata”, resume. 

Fonte: Portal Vermelho A Esquerda Bem Informada
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